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QUIMIOPROFILAXIA DE TUBERCULOSE LATENTE

Considerações iniciais

O tratamento atual para profilaxia da tuberculose latente (chamado de Terapia Preventiva da Tuberculose – TPT) depende do contexto clínico, idade, comorbidades e diretrizes locais. No Brasil, é regulamentado pelo Ministério da Saúde, e internacionalmente pelas diretrizes da OMS e CDC.

A profilaxia para tuberculose latente (TL), também é conhecida como Tratamento da Infecção Latente da Tuberculose (TILTB), e é uma estratégia fundamental para prevenir que a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis (o bacilo da tuberculose) se desenvolva na forma ativa da doença.

No Brasil, o tratamento da TL é parte das diretrizes do Ministério da Saúde e é indicado para grupos específicos de pessoas que têm alto risco de desenvolver a tuberculose ativa, como:

  • Pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA).
  • Contatos de casos de tuberculose ativa bacilífera, especialmente os que residem na mesma casa ou têm contato prolongado.
  • Pessoas em uso de imunossupressores (corticoides em dose elevada por tempo prolongado, biológicos).
  • Pacientes em tratamento para doenças autoimunes (ex: artrite reumatoide, psoríase, doença de Crohn).
  • Candidatos a transplante de órgãos ou de células-tronco hematopoéticas.
  • Pacientes com silicose.
  • Pacientes com doenças renais crônicas em diálise ou pré-diálise.
  • Crianças menores de 5 anos que são contatos de casos de TB.


 

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Diagnóstico da Tuberculose Latente

Antes de iniciar a profilaxia, é crucial afastar a tuberculose ativa. Isso é feito por meio de:

Exame clínico: Avaliação de sintomas como tosse prolongada, febre, perda de peso, sudorese noturna.

Radiografia de tórax: Para buscar sinais de doença pulmonar ativa.

Baciloscopia de escarro (se houver tosse): Para verificar a presença do bacilo no escarro.

Se a tuberculose ativa for descartada, a TL é diagnosticada principalmente por:

Teste Tuberculínico (TT) ou PPD (Prova Tuberculínica/Mantoux): Consiste na injeção de uma pequena quantidade de derivado proteico purificado na pele. A leitura é feita após 48-72 horas, medindo o diâmetro da enduração (elevação) no local. O resultado é interpretado de acordo com o grupo de risco do paciente.

Teste de Liberação de Interferon-Gama (IGRA): É um exame de sangue que mede a resposta imune à bactéria. Pode ser usado em algumas situações específicas, especialmente em pessoas previamente vacinadas com BCG, onde o PPD pode dar um falso-positivo.

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Esquemas de Tratamento (Profilaxia)

No Brasil, existem vários esquemas recomendados, com diferentes durações e medicamentos. A escolha do esquema depende da idade do paciente, comorbidades, risco de hepatotoxicidade e interações medicamentosas.

Os principais esquemas são:

Isoniazida (H) por 6 ou 9 meses:

Isoniazida 5 a 10 mg/kg de peso/dia (dose máxima de 300 mg/dia para adultos).

Duração:

9 meses (270 doses): É o esquema preferencial, considerado mais eficaz.

6 meses (180 doses): Pode ser usado em algumas situações, especialmente se a adesão ao esquema de 9 meses for difícil.

Administração: Dose única diária, preferencialmente em jejum.

Indicação: É o esquema mais tradicional e amplamente utilizado.

 

Rifampicina (R) por 4 meses:

Rifampicina 10 mg/kg de peso/dia (dose máxima de 600 mg/dia para adultos).

Duração: 4 meses (120 doses diárias), podendo prolongar por até 6 meses.

Administração: Dose única diária, preferencialmente em jejum.

Indicação: Alternativa para quem não tolera isoniazida ou em grupos específicos (ex: crianças menores de 10 anos, pessoas com mais de 50 anos, hepatopatas).

 

Isoniazida + Rifapentina (3HP) por 3 meses (semanal):

Isoniazida + Rifapentina (doses combinadas), administradas uma vez por semana.

Duração: 12 doses semanais (completadas em 12 a 15 semanas).

Indicação: Um esquema de curta duração que tem sido cada vez mais utilizado por melhorar a adesão. No entanto, sua disponibilidade pode variar e há algumas contraindicações específicas (ex: gestantes, interação com antirretrovirais específicos para HIV).

Mais usado nos EUA, indicado especialmente para adesão facilitada

⚠️ Antes de iniciar: Excluir TB ativa (clínica, imagem e, se necessário, escarro ou teste molecular)

Avaliar função hepática (TGO, TGP)

Orientar sobre sinais de hepatotoxicidade

 

 

Escolha do esquema

A definição depende de fatores como:

- Idade e função hepática

- Comorbidades (ex.: HIV, diabetes)

- Preferência do paciente e capacidade de adesão

- Interações medicamentosas

- Casos de hepatite recente ou doença hepática prévia 

 

No Brasil, embora a isoniazida seja mais usada, há uma tendência de preferência às formas mais curtas (rifampicina ou esquema combinado) devido a melhor adesão e menor risco de efeitos colaterais .

Fontes 

https://www.tadeclinicagem.com.br/guia/107/tuberculose-latente/

https://smscap31.com.br/fluxogramas/tecnicos/tuberculose/7-tratamento-de-iltb.php

https://blog.sanarsaude.com/portal/residencias/artigos-noticias/farmacia-farmaceutico-artigo-tratamento-da-tuberculose